sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

O Ano Novo

O Ano Novo
Tiamat em uma relíquia babilônica. O que essa antiga deusa, as vezes retratada como 'oceano', 'serpente', ou 'dragão' tem a ver com as festividades do "Ano Novo" moderno?


Prólogo
Você comemora a chegada do "ano novo"? Se sim, com certeza segue a tendência geral -religiosa ou não - de pensar que ele "será melhor" que o que está sucedendo. Você faz "planos para um ano novo melhor", deseja à outros "tudo de bom" e realmente acredita que "tudo vai melhorar, com a ajuda de Deus"... só porque mais um ano vai começar.
Na prática essas coisas se resumem à uma festa à meia noite, à uma "ceia" - uma farta refeição - acompanhada ou não de bebidas e comidas que normalmente não são do seu cardápio diário.
Uma simples passagem de hora, das 24:00 em diante, é motivo de queima de fogos, brindes, abraços, badalo de sinos em igrejas e buzinaços nas estradas. Em alguns casos também é motivo de bebedeiras, farras, orgias e etapas em motéis com namoradas, esposas... ou esposas de outros. Em pelo menos um desses motivos você estará.
No dia seguinte, o primeiro do novo ano, ainda embalado - talvez não tanto - pela "esperança de um novo começo", come o resto da "ceia" da madrugada passada. A tarde curte a ressaca da festa e à noite tudo acaba.
No dia dois do "ano novo" as coisas voltam ao normal. Percebe que nada mudou a não ser o calendário na parede. Em alguns casos as lembranças dos problemas retornam com mais força força ainda. Realmente o "ano novo" pode - e deverá - ser pior que o que passou. Talvez seja esse o seu caso, ou não. O que importa é que você participou de uma festa milenar.
Sabia que nada disso é novo... e nem cristão?


De Onde Veio?
A festividade do "Ano Novo" é também chamada de"Réveillon". Essa é uma palavra francesa para "virada", e vem do verbo francês 'reveiller', que significa 'despertar'. Mas a festividade que leva esse nome é bem mais antiga. Teve origem nos antigos povos pagãos da Mesopotâmia, de uns 2000 AC, bem antes da formação da primeira potência mundial, o Egito,
Os mesopotâmios acreditavam que o universo foi criado depois de uma luta colossal entre o deus Marduque e Tiamat, a deusa do caos. Segundo o mito, Marduque estabeleceu violentamente a ordem no caos. Como não havia calendário naquela época, cada ano novo, era comemorado na chegada das primeiras chuvas vitalizadoras.
Era costume os reis daqueles povos, que representavam a ordem - ou Marduque - fazerem "retiros" - ou se ausentarem do povo - por diversos dias. O povo então, naqueles dias de retiro do rei, tinha permissão e literalmente recriava o caos - ou Tiamat - bebendo, permitindo que escravos insultassem seus amos e cometendo imoralidade sexual.

Fonte: Enuma elish - The Babylonian Creation Myth - Biblioteca babilônica fossilizada, de aproximadamente 1800 AC, descoberta em 1849 por Austen Henry Layard

Tais comemorações passaram para os povos vindouros, até chegar nos antigos romanos, que copiaram a mesma ideia para o seu festival das saturnais, em dezembro.
Quando Roma se tornou católica, no início do Séc IV, essa festividade pagã não foi abandonada. Ela simplesmente adquiriu contornos católicos. E é esta variação romana/católica da antiga comemoração do Ano Novo mesopotâmico que perdura até hoje.

Festividade Inofensiva?
Daí você pode dizer: “Tudo isso é muito interessante, mas para mim o Ano-novo é meramente uma ocasião para um pouco de diversão”. Muitos pensam assim. Independente da sua história pagã, o Ano-novo é um feriado inofensivo. De fato, nesta época, os líderes religiosos, ao invés de denunciarem o paganismo da festa, se juntam à ela, endossando-a. Será que trata-se mesmo de uma festividade inofensiva? Ou há vítimas nela?
Talvez você não seja uma das vítimas do ponto de vista físico. Basta olhar nos índices para verificar que nesta época - e precisamente nesta data - há mais crimes, mais assassinatos, mais acidentes, etc. E tudo por causa dos excessos cometidos em nome do "ano novo".
Mas o que dizer do ponto de vista cristão? Está a sua religiosidade "cristã" em perigo com esta festividade?

Como O Cristão Deve Agir?
Se você pertence à qualquer religião que se diz "cristã", deveria ter sempre em mente o valor prático do conselho bíblico de Provérbios 22:3: “O homem prudente percebe a aproximação do mal e se abriga, mas os imprudentes passam adiante e recebem o dano..” - Versão bíblica católica Ave Maria
Sim, você preveria os perigos de tal festividade e se manteria longe dos excessos dela ... Se seus líderes religiosos lhe explicassem isso. No entanto tudo o que você ouve deles é "feliz ano novo".

Mas o que dizer se você se considera um cristão "praticante", "de verdade"?
Você acha que Pedro participou das comemorações do ano novo de sua época? Ou ele, além de abandoná-las quando se tornou cristão, aconselhou outros a fazerem o mesmo?
Observe o que ele escreveu sobre as comemorações: “Baste-vos que no tempo passado tenhais vivido segundo os caprichos dos pagãos, em luxúrias, concupiscências, embriaguez, orgias, bebedeiras e criminosas idolatrias..” — 1ª Pedro 4:3 - Bíblia Ave Maria.
Sem dúvida Pedro levou em consideração a origem pagã - chamando-as de "idolatrias criminosas" - das festividades que não fariam parte do verdadeiro cristianismo do qual participava, nem mesmo por diversão. E o "ano novo" moderno, conforme vimos é, na verdade uma festa pagã travestida de "cristã".

O que fazer? Se você for católico, terá aprendido que "Pedro o representa". Mas nesse caso você estaria fazendo o que Pedro aconselhou, ou que o o seu Padre, contrariando Pedro, lhe diz para fazer?
Ou se você for "evangélico" menosprezaria o conselho do cristão Pedro em favor da tolerância de seus 'pastores' ao paganismo?
A resposta estará na sua consciência, depois de você ler este artigo.


Publicado o grupo Taubaté - SP, em 28/12/2016 aqui:

A Vez da Internet

A Vez da Internet

"Limitar a Internet pode fazer com que a pessoa não fique muito tempo sentada 
diante do computador e emagreça! Internet Limitada faz bem pra saúde"
Se ele tivesse dito isso seria bem melhor! Mas não disse!


Os Administradores brasileiros, nos últimos anos, se transformaram em mestres para 'desadministrar' as empresas do país. Veja o exemplo do que fizeram com a Petrobrás, Outro exemplo é o empresário M. Odebrecht que ao invés de usar sua poderosa empresa para simplesmente ficar milionário e viver muito bem preferiu chafurdá-la na lama até ser preso.
É assim que funciona por aqui. E o povo tem que viver das migalhas que caem do bico do urubu da corrupção.
Sobrou alguma coisa? Aparentemente sim. A nossa Internet é uma das poucas coisas que sobraram... ainda!
Apesar de não ser a mais rápida do mundo - Aliás ela está entre as mais lentas - tem satisfeito o anseio dos usuários. Pois ela tem um detalhe: É ilimitada.
Sim, a porcaria da nossa Internet nos permite ficar vinte e quatro horas conectados, baixando o que quisermos.
Claro que isso não iria passar despercebido dos nossos 'desadministradores'! Eles já estão pensando em como acabar até com essa mixuruca festa.
Não conseguirão, pelo menos por enquanto! Mas que estão tentando estão!


E nem bem iniciou o magro ano de 2017, um desses 'desadministradores' já ficou ouriçado na questão.
Gilberto Kassab, um católico de 57 anos, já fez de tudo. Foi corretor de imóveis, Economista, Engenheiro Civil e talvez fosse mais coisas (Sociólogo, Médico, Dentista, Cantor, etc), mas preferiu virar Político.
Como Político passou a ser Empresário e finalmente Prefeito (de SP). E como Prefeito, perdeu a cabeça e partiu pra porrada contra um manifestante (esse caso se deu em 2007).
Sim. Aqui no Brasil pode-se ser tudo, mesmo que não se tenha a menor vocação. Principalmente se você quiser ser um 'Desadministrador'. Basta ter um dinheirinho, um pai rico ou...um QI (Quem Indica).
Pode não ser o caso dele, mas Kassab, sem ter histórico algum sobre Comunicação, Ciência ou Tecnologia, virou agora o Ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações do Brasil. Será que é porque ele é de origem libanesa como o Presidente Temer?

Isso não importa agora. Ele está tentando, como Ministro, definir o quanto você poderá ficar conectado, a partir da segunda metade de 2017. Ele quer reduzir a já reduzida Internet do país à condição de "Internet Limitada".
Ou seja: Você não mais poderá ficar baixando aqueles filmes em alta definição, de mais de 10 Gigabits. E dependendo do uso que faz da Internet talvez não dê nem para preencher formulários. Nem mesmo formulários que o próprio governo te manda. Atingindo o seu limite, sua Internet é fechada e fim de papo... a não ser que você pague "pelo excesso".
Em outras palavras, a nossa Internet, que já não é aquela "beleza", se depender do Kassab, vai perder seu único atributo bom... e ficar parecendo prostituta velha: Se quer mais, pague mais!


Sabe como ele explica isso? Dizendo que "
é para o bem do povo.". Veja a seguir algumas respostas que deu, em uma entrevista sobre esse assunto no site 'Poder360' no dia 12/01/2017:
Qual o Objetivo de tornar a Internet Limitada?
- "É beneficiar os usuários... para que tenham melhores serviços".
Como uma redução de um serviço beneficiaria o povo?
- "O governo sempre estará do lado do povo... O problema NÃO É a redução, mas o ""Ponto de Equilíbrio"".



Kassab, que inclusive foi citado na Operação Lava jato, parece ter pego o jeito irresponsável dos ministros deste governo de falar bobagens. Pois só no dia seguinte, vendo a repercussão negativa do que falou, no mesmo site (Poder360) resolveu "voltar atrás" e 'desdizer' a si mesmo. "Esclareceu" que foi "um equívoco", ou que ele não quis dizer nada daquilo.
Até o Presidente da Anatel, Juarez Quadros, teve que intervir para desfazer a presepada do Ministro, talvez porque ninguém mais acredita nele... nem quando "se desmente"!
Mas o fato é que essa discussão não é nova. Mais cedo o u mais tarde eles vão acabar detonando a Internet também... Porque no Brasil é assim!


Acyr C.F. 

Publicado o Grupo Taubaté - SP aqui:
https://www.facebook.com/groups/255288214623951/permalink/758920304260737/

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

O Primogênito

O PRIMOGÊNITO
Use a lógica
Os religiosos adeptos da mariolatria - veneração de Maria - normalmente se esquivam  de 
conhecer a história verdadeira desta mulher que foi a mãe de Jesus. A Bíblia fala pouco dela, 
mas o suficiente para colocá-la como participante do projeto de Deus para a salvação da 
humanidade. Seu papel de mãe de Jesus foi realmente uma responsabilidade que ela, por ser 
temente à Deus, cumpriu com alegria... e dor! Mas não fala nada de uma suposta "virgindade 
eterna" ou dela ser "mãe de Deus". Tais ideias não vem da Bíblia mas de meras tradições 
inventadas por homens.



A palavra "Primogênito" significa "Primeiro nascido". Ela é aplicada geralmente ao primeiro filho de um casal, caso tenham mais um filho.
Se um casal tem apenas um filho, este não pode ser chamado de 'primogênito', pois não há irmãos para dar sentido à palavra. Nesse caso ele é chamado de 'unigênito'. 'único filho', ou mesmo de 'o filho'.
Assim, Jesus foi o "primogênito" de Maria, sua mãe. Isso significa que ela teve outros filhos depois dele. A Bíblia é clara sobre isso em Lucas 2:7, onde lemos:
.
"E deu à luz seu filho primogênito, e, envolvendo-o em faixas, reclinou-o num presépio; porque não havia lugar para eles na hospedaria." - Versão bíblica católica Ave Maria 

Não há o que interpretar nesse texto, que deve ser lido e entendido como está escrito. No entanto muitos líderes religiosos o deturpam para lhe dar sentidos que não coadunam com a lógica do que foi escrito.
 Alguns, na incapacidade de contradizer tal texto, mesmo com interpretações particulares, chegam à dizer que "a Bíblia foi mudada" (como se a palavra de Deus pudesse ser mudada pelo homem). Dizendo que a Bíblia foi "mudada", procuram deturpar tal entendimento simples e verdadeiro sobre a natureza de Maria como mulher casada e mãe de família.


Um padre, chamado Paulo Ricardo, por exemplo, sempre belicoso para com os "protestantes", ensina que "nem tudo está na Bíblia" e que 'tudo está na Igreja', colocando assim a Bíblia em segundo plano. Incapaz de fornecer interpretações convincentes dos textos bíblicos (exceto para quem não raciocina sobre assuntos bíblicos) ele costuma citar como 'último argumento' que "o magistério da Igreja assim definiu".
E no caso da alegada virgindade de Maria, mesmo após seu casamento ele diz que "é porque a igreja diz que é", e nada mais que isso!

Parece-lhe isso com uma explicação lógica para textos bíblicos? Ou uma imposição de uma interpretação na qual não se admite raciocínios?



Publicado originalmente no grupo Taubaté - SP em 17 de dezembro de 2016 aqui
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1280238115330752


SUFOCADO OU ESTRANGULADO?

SUFOCADO OU ESTRANGULADO?
Qual a Palavra Correta?
Atos 15:20 - A Questão do Sangue
Galinha estrangulada em casa. Modo caseiro de matar galinhas para o almoço. 
A galinha era colocada de cabeça para baixo para seu sangue escorrer, antes de ir 
pra panela. Alguns religiosos, interpretando equivocadamente Atos 15:20, evitam 
comer a carne de frangos por causa do termo usado na Bíblia


Diferenças nas Palavras
"Sufocar" pode significar "abafar" ou mesmo "vencer". De forma que este verbo pode dar margem à interpretações equivocadas se usado em textos bíblicos. Não se encaixa, por exemplo, em Atos 15:20 que leva o seu sujeito ("sufocado"). Nesse texto, tanto a versão bíblica católica Ave Maria como a versão "evangélica" João Ferreira de Almeida (atualizada) usam a frase "carne sufocada" para se referir às carnes que não podiam ser comidas pelos cristãos.
Já o verbo "estrangular" se refere estritamente ao que pretende dizer o texto acima citado. Se refere à animais estrangulados que não deviam ser comidos. A versão Novo Mundo, das Testemunhas de Jeová usam corretamente a palavra "estrangulado" no texto, não dando margem para interpretações particulares e de conveniências.
Mais quais seriam essas carnes que os cristãos não podiam comer?

A Questão do Sangue
Bem cedo, na humanidade, Deus proibiu que se comesse sangue. Antes de haver a Lei Mosaica e logo depois do Dilúvio Ele disse a Noé: "Somente a carne com a sua alma — seu sangue — não deveis comer" - Gênesis - 9:4. Por quê? O próprio Deus explica (Leia Gênesis 9:5,6). 
Para Deus o sangue é sagrado a tal ponto que até o sangue dos animais ofertados à Ele em sacrifícios tinha que ser eliminado. E Ele especificou isso, detalhadamente na Lei. Leia três exemplos desta especificação: Êxodo 34:25, Levítico 1:15 e Levítico 7:26,27.
Assim, exceto o de fazê-lo retornar ao solo, os israelitas não podiam comer ou usar o sangue para qualquer outro fim, quer fosse de seres humanos quer fosse de animais.


Os Cristãos e o Sangue

Mas o que dizer dos Cristãos? Será que com a vinda de Cristo, que colocou fim na Lei Mosaica, substituindo-a pela Lei do Cristo (Gálatas 6:2), a questão do sangue mudaria?
Não. Apesar de muitos mandamentos da Lei Mosaica terem sido abolidos (a Lei do sábado, por exemplo, não vigorava mais para os cristãos. Cristo curava nos sábados), no que toca ao sangue (bem como à adoração de imagens e da fornicação (ou prostituição) ela continuou valendo, conforme lemos no texto de Atos 15:20:
"...mas escrever-lhes que se abstenham das coisas poluídas por ídolos, e da fornicação, e do estrangulado, e do sangue." Atos 15:20 - Versão Novo Mundo das Escrituras Sagradas
Essa foi uma decisão cristã, tomada pelos Apóstolos e anciãos, sediados em Jerusalém, no início do cristianismo para resolver questões quanto ao que ainda estava ou não valendo da antiga Lei Mosaica e incluía também a questão da circuncisão (Atos 15:1,2).
Essa decisão cristã quanto á proibição do sangue voltou a ser confirmada mais tarde (Atos 21:25) como aviso aos convertidos oriundos de outras nações que não fossem dos judeus - Leia também Atos 15:29.


Interpretações Equivocadas
Apesar deste claro entendimento bíblico sobre essa questão, muitos tendem hoje a diferenciar o verbo "comer" de "receber" no caso do uso medicinal do sangue. No fundo é a mesma coisa. Receber sangue é o mesmo que comer, uma vez que tudo o que entra no corpo, quer seja pela boca quer seja por injeção, segue o mesmo caminho e se mistura com o sangue interno como alimento.
Assim, embalados por propagandas sensacionalistas e sentimentais que confundem "doação de sangue" com "ato de amor", acabam rejeitando o caráter sagrado do sangue e a ordem divina para não se fazer uso dele em hipótese alguma.


Que dizer do "estrangulado" ou da "carne sufocada" como dizem alguns? 
Os animais estrangulados, nos tempos bíblicos eram normalmente aqueles feitos no ato em que eram mortos, sem o devido preparo para se lhe retirar cerimonialmente o sangue, como faziam os judeus e os cristãos. Os cristãos não deviam comer carnes de procedência duvidosa, já que os pagãos não se preocupavam em limpá-las cerimonialmente do sangue.
Alguns hoje levam o texto ao pé da letra e evitam comer carnes, mesmo sendo limpas de sangue, só porque vieram de animais mortos por estrangulamento (como no caso dos frangos caseiros).
E alguns mais fanáticos insistem no termo "sufocado" em vez de "estrangulado" só porque está assim vertido na versão bíblica que usam. Nesse caso, o termo "sufocado" (usado nas versões católicas e "evangélicas" da Bíblia) deveria ser usado também para os peixes, que morrem sufocados ao serem retirados da água.
Mas não se tem indícios de que peixes são proibidos aos cristãos.



Publicado originalmente no grupo Taubaté - SP em 20 de dezembro de 2016 aqui:

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

O PAGANISMO DO NATAL

O PAGANISMO DO NATAL
Representação de pastores vivendo no campo e cuidando de ovelhas por ocasião do 
nascimento de Cristo, conforme relatado por Lucas (capítulo 2, versículo 8). Isso seria 
impossível em dezembro, mês de rigoroso inverno, mas não em outubro, na época em 
que ele realmente nasceu


O PAGANISMO DO NATAL
O Natal, a festividade mais conhecida do mês de dezembro que domina praticamente o mundo todo - principalmente o mundo cristão - nada tem de "cristão". Ao contrário do que afirmam os líderes religiosos auto-denominados "cristãos" (tanto católicos como protestantes), o Natal é uma festividade inteiramente retirada do paganismo e implantada nos sistemas de adoração da cristandade. Além disso o Natal nesses sistemas religiosos é floreado com novos mitos (como o Papai Noel, por exemplo).


A DATA: 
Começa pela data em que é comemorado, dia 25 de dezembro. Esta data foi imposta como a do nascimento de Cristo. Mas Cristo não nasceu em dezembro. Se ele foi morto em abril aos 33 anos e meio, logo ele nasceu em algum dia do mês de outubro. Além disso o dia exato do nascimento do Cristo não é importante, caso contrário seria mencionado na Bíblia.
Quando Jesus nasceu, segundo o relato de Lucas (2:8) "havia pastores vivendo no campo e cuidando de ovelhas à noite". Isso significa que não era inverno, época em que seria impossível viver ao ar livre e de noite. No inverno (dezembro) os pastores se abrigavam em suas casas junto com suas ovelhas e não no rigoroso inverno.Eles ficavam no campo somente nos agradáveis meses que antecediam o inverno.
É certo que os cristãos pós Cristo não comemoravam o nascimento de Cristo, pois não há relato bíblico sobre isso. E a data (25/12) do suposto nascimento de Cristo é, não dos cristãos verdadeiros, mas de uma cristandade já decadente - segundo declara a Enciclopédia Americana -  do início do Século IV. E qual foi a influência para se adotar tal data? A própria Nova Enciclopédia Católica nos fornece a explicação: "Em 25 de dez. de 274, [o imperador romano] Aureliano tinha proclamado o deus-sol [Mitra] o principal padroeiro do império. . . O Natal originou-se numa época em que o culto ao sol era especialmente forte em Roma.”


A COMEMORAÇÃO
Se a data do Natal é uma data pagã, por que dizer que ele é "cristão"? E o que dizer da forma como é comemorado?
Segundo a literatura de referência (enciclopédias), tudo o que se faz na época do Natal, desde o enfeite de árvores, as trocas de presentes e as ceias noturnas, também se originaram de costumes pagãos. Eles nada têm que ver com Cristo ou com o modo de vida cristão. Pelo contrário, o Natal continua sendo a continuação das Saturnais romanas.
A Enciclopédia de Religião e Ética diz: “A maioria dos costumes cristãos que agora prevalecem . . . não são costumes genuinamente cristãos, mas são costumes pagãos que foram assimilados ou tolerados pela Igreja. . . . As Saturnais de Roma forneceram o modelo para a maioria dos costumes felizes [divertidos] da época do Natal. Esta antiga festa romana era celebrada em 17-24 de dezembro.


O NATAL MODERNO
Trata-se de puro comércio com um fundo religioso.
Quando chega a época do natal, ouvimos algumas pessoas dizerem: ‘Voltemos ao verdadeiro significado do Natal’, ou “Vamos pôr de novo Cristo no Natal’. Mas é preciso saber que o significado original do Natal é uma celebração pagã da natureza, e que Cristo jamais esteve no Natal. Deforma que comemorar o Natal é o mesmo que festejar pela abertura de uma loja... que não foi aberta!
Que dizer de alguns de denunciam a comercialização do Natal? Eles reconheceram que o ambiente festivo e os presentes dados ao se celebrar as saturnais significam negócios para os comerciantes. Tal costume estava presente nas antigas festividades pagãs romanas do Solstício de Inverno. Assim, já por milhares de anos, o Solstício do Inverno continua sendo comercializado.


O RESISTENTE PAGANISMO
Face ao seu flagrante paganismo, em 1643, o Parlamento da Inglaterra chegou até a banir o Natal. Porém, mais tarde, obviamente por motivos financeiros, o restaurou. Em 1659, foi igualmente banido em Massachusetts, EUA, mas também ali foi mais tarde restabelecido. A publicação católica U.S. Catholic relata: “Visto que os cristãos, nos EUA . . . associavam o Natal com os costumes pagãos, eles não celebraram o Natal em grande estilo, senão depois de meados do século 19.”
De fato foi só depois da Revolução Industrial, com o possível acumulo de bens materiais, que as pessoas se rederam de vez ao negocio do Natal, pouco se importando se era ou não pagão. E a hipocrisia dessa comemoração tem atingido níveis altíssimos nos dias atuais, incluindo até missas encomendadas (e pagas) para a ocasião.
O que deve fazer o verdeiro cristão que sabe que o natal tem essa origem pagã?

A DECISÃO É SUA

Quer comemorar o Natal, mesmo depois de saber sobre o paganismo, a mentira e a hipocrisia contida nele? A decisão é sua. Saiba porém que estará sendo mais hipócrita do que aqueles que comemoraram o natal sem saber ainda essas coisas dele. E saiba também que estará à serviço de deuses pagãos (inexistentes) e não de Cristo ou de Seu Pai.



Publicado originalmente no grupo Taubaté -SP em 10 de dezembro de 2015 aqui:

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

O Dízimo

O Dízimo
livreto católico que incita às crianças, mediante interpretações forçadas, 
à pagarem o chamado “Dízimo Mirim” retirando assim, ainda mais 
dinheiro das famílias. O apetite das igrejas por dinheiro é semelhante 
ao do político: Não tem fim. Usando de interpretações, transforma-se 
todos os textos bíblicos, inclusive simples diálogos, em “obrigações do 
dízimo”. É como se a Bíblia fosse um mero “livro-caixa” 
na mão dos líderes religiosos


Prólogo
As igrejas de hoje, tanto católicas como protestantes, cobram o dízimo dos fieis. Afirmam que o dízimo que cobram é “baseado na Bíblia” e, portanto, “uma obrigação do cristão”. 
Alguns líderes religiosos, desconsiderando todas as outras observações de Cristo sobre o comportamento cristão no que toca o desapego ao dinheiro, afirmam que o pagamento do dízimo é “a principal condição para se conseguir seus objetivos aqui na Terra antes de ir para o céu após a morte”. Outros resumem a vida dos fieis em “orações e pagamentos de dízimos”, fazendo com que a relação com Deus seja uma simples questão de pagamentos mensais à uma Igreja.
Há determinadas denominações religiosas, em especial as denominadas “evangélicas”, que até punem os fieis que não pagam o que lhes é exigido. Chegam ao ponto de fazer os fieis assinarem 'compromissos' de dívidas, cobrando-os depois na Justiça e sujando-lhes o nome como devedores comuns. Outros líderes religiosos, hipocritamente dizem não cobrar o dízimo, mas exercem forte pressão sobre os fieis no sentido de que se não estão pagando “
não são cristãos”, a ponto de fazer com que os outros membros da igreja lhes tratem mal. Qual a diferença de uma cobrança formal e outra informal? Nenhuma.

Será que a vida daqueles que hoje procuram por uma relação com Deus é condicionada á pagamentos mensais? O dízimo cobrado hoje é realmente baseado na Bíblia? Deus “exige” – conforme dizem alguns – o pagamento do dízimo, como uma principais das condições para ser cristão? Havia punições para quem não pagasse o dízimo dos dias da Lei de Moisés? Essas e outras perguntas vão ser respondidas nesta matéria.


1ª Parte 
O Dízimo Bíblico
Representação de Aarão, irmão de Moisés. Entre os israelitas ele, como sacerdote, 
e seus descendentes, não possuíam herança na terra prometida e como cuidavam 
exclusivamente dos  serviços sacerdotais no tabernáculo, tinham que ser mantidos 
pelos outros membros do povo. Esta foi a Lei do Dízimo. Mas quando este sacerdócio 
terminou com a vinda de Cristo, acabou-se também a Lei do Dízimo.


Se compararmos o Dízimo bíblico, com aquilo que chamam de “dízimo” nos dias atuais, veremos que um nada tem a ver com o outro. 
A Lei do Dízimo bíblico não era produto de interpretações de textos bíblicos aleatórios da história do povo hebreu. Foi clara e detalhadamente escrita para ser lida, entendida literalmente e executada nos mínimos detalhes por todo o povo. Tinha a ver somente com o sacerdócio israelita, previsto na Lei mosaica dos tempos anteriores à Cristo e tinha que ser cumprida integralmente. Mas cumpri-la nos dias atuais é impossível. Por exemplo, o dízimo, que na verdade eram ‘dois dízimos’, eram pagos uma vez por ano com produtos da terra (e não com dinheiro) para sustentar os levitas e o sacerdócio aarônico (que incluía todos os parentes destes). Os dízimos não eram pagos durante os “anos sabáticos” (Levítico 25:1-12). Existem anos sabáticos, levitas e sacerdócio aarônico nos dias atuais?
E como eram esses “dois dízimos”? Em uma análise deles, verifica-se que o “dízimo” atual não pode ser baseado neles, e que portanto, trata-se de uma interpretação bem superficial da palavra que o define. Vejamos:

1º Dízimo - Pago uma vez ao ano com produtos da terra colhidos e do aumento (não do total) do rebanho durante o ano, para sustentar os membros da família dos levitas porque não tinham parte na herança na terra dos israelitas, Os levitas, por sua vez, também pagavam 10% do dízimo do que recebiam ao sacerdócio aarônico - Levítico 27:30-32; Números 18:21, 24 e Números 18:25-29
Caso um israelita preferisse pagar em dinheiro em vez de produtos da terra, era-lhe estipulado mais 1/5 do valor dos produtos. - Levítico 27:31.

2º Dízimo – Era guardado, também em mantimentos e gado, não com o sacerdócio, mas com a própria pessoa, a cada ano. Depois tudo era unido para o usufruto de todos os israelitas quando estes compareciam às festividades nacionais em Jerusalém. - Deuteronômio 12:4-7, 11, 17, 18 e 14:22
Este dízimo era usado também para outro fim: No fim de cada terceiro e de cada sexto ano do ciclo sabático de sete anos, este dízimo, em vez de ser usado para custear as despesas nas festividades nacionais, era destinado ao sustento dos residentes forasteiros, das viúvas e dos meninos órfãos de pai na comunidade local. — Deuteronômio 14:28, 29; 26:12.

Não havia Punições

Sob a Lei não existia pena estipulada para ser aplicada à pessoa que deixasse de pagar o dízimo. Deus colocou todos sob forte obrigação moral de dar o dízimo; no fim do ciclo de três anos de pagamento de dízimos, exigia-se deles confessar perante Ele, Deus, mediante oração, (e não à um sacerdote) que os dízimos haviam sido pagos integralmente. (Deuteronômio 26:12-15) Qualquer coisa retida incorretamente era considerada algo roubado de Deus, algo que o sacerdócio não poderia saber — Malaquias 3:7-9. Era uma questão de consciência. 
Assim, não haviam cobranças, expulsões, advertências ou mesmo comportamento indiferente dos vizinhos por causa do dízimo. O peso na consciência do israelita já era a sua punição.

Há alguma semelhança do dízimo bíblico com o que se chama de “dízimo” nos dias atuais, cobrado sempre em dinheiro à cada vez que alguém recebe, indo o dinheiro direto para a conta de alguém, que não é levita, nem do sacerdócio aarônico e nem participa das festividades nacionais do antigo Israel? Nenhuma.


Consequências do pagamento de Dízimos
Palácio” do “Bispo” de Guaxupé, sul de Minas Gerais. Ao contrário do antigo 
sacerdócio aarônico (que não tinha terras e nem renda e vivia modestamente), 
os líderes religiosos atuais, embora digam, hipocritamente, que fazem "votos de pobreza", 
são milionários e moram em suntuosos ‘palácios’, enquanto o povo que lhes mantém 
mora não raro em favelas. Era o dízimo bíblico usado para enriquecer pessoas ou financiar luxuosas moradias? Não. O dízimo bíblico era usado justamente para fazer o contrário: 
fornecer fartura ao povo e não ao sacerdócio. Assim, o chamado “dízimo” atual nada 
mais é do que uma fonte de renda pessoal, que nada tem a ver com o verdadeiro 
propósito do que foi o dízimo bíblico

Conforme vimos, o dízimo bíblico (pago em mantimentos alimentícios) não era um “dinheiro para Deus”, conforme os líderes religiosos de hoje em dia dizem. Deus não precisa de dinheiro. E nem era “dinheiro para a igreja”. Lugares não precisam de dinheiro (o tabernáculo do sacerdócio judaico, quando a Lei foi dada ao povo, era uma simples tenda). Dentro do dízimo bíblico, quem precisava de mantimentos, e não de dinheiro, eram pessoas.
E o dízimo bíblico foi uma forma do povo de, não enriquecer, mas manter nutrido o sacerdócio aarônico, para seu próprio benefício.
Quando o povo israelita se tornava negligente quanto à dar o dízimo, o sacerdócio sofria. Por quê? Tanto o sacerdócio quanto os levitas se viam obrigados a gastar seu tempo em serviço secular para se manterem, e, consequentemente, não sobrava tempo para seus serviços ministeriais. (Neemias 13:10) Tal infidelidade tendia a produzir um declínio na adoração verdadeira que o povo devia ter. Como o dízimo estava sob supervisão direta de Deus e não de homens, tal atitude levava á frustração e a escassez.
Por outro lado, quando Israel era fiel à Lei e incluía o dízimo entre suas obrigações, administradores justos o restabeleciam para os levitas. Passava então a haver progresso e fartura para todo o povo embora o próprio sacerdócio se mantivesse no mesmo nível de posses — Amós 4:4, 5; 2ª Crônicas 31:4-12; Neemias 10:37, 38; 12:44 e 13:11-13.

Há alguma semelhança disso com o que se faz nas igrejas de hoje? Não. É comum vermos líderes religiosos milionários enquanto os fieis que lhes dão dinheiro ficam sempre esperando por um “
retorno” que fica somente na promessa e nunca vem.
Promessas, aliás são as únicas coisas oferecidas, nos dias atuais, em troca de “dízimo”. Depois que nada é conseguido, os líderes religiosos colocam a culpa nos fieis, dizendo que “
não tiveram fé suficiente”. É justo isso?
Nos dias de Moisés, quando a Lei do Dízimo estava em vigor, o retorno era imediato. De que forma? O povo sabia que pagava o dízimo somente para manter o seu serviço sacerdotal em dia, e através dele ser abençoado, de forma imediata, por Deus. E isso nunca falhava.


2ª Parte 
O Fim da Lei do Dízimo
Uma das mansões de um líder religioso dito “evangélico” (Valdemiro Santiago), em 
um condomínio de milionários de são Paulo, avaliada entre 7 e 10 milhões de reais. 
Iguais à ele, vários outros líderes religiosos juntam fortunas dizendo que cobram o 
dízimo em bases bíblicas. Os fieis lhe dão dinheiro pensando estarem fazendo a 
vontade de Deus. Fazem isso por que não sabem que o verdadeiro dízimo bíblico não 
existe mais como obrigação. Nos tempos de Moisés, o dízimo fornecia fartura ao povo e 
não ao sacerdócio. Mas os pagadores de dízimos hoje em dia nunca ficam ricos e não raro 
vão à miséria por darem o que tem à outros


Os Cristãos, a Partir de Cristo, Pagavam Dízimo?
Em nenhuma ocasião se ordenou aos cristãos do primeiro século pagarem dízimos conforme era pago pelos antigos israelitas. Se o objetivo da Lei dos dízimos, era sustentar o templo e o sacerdócio de Israel; consequentemente, a obrigação de pagar dízimos cessou quando aquele pacto da Lei mosaica chegasse ao fim, cumprido, por meio da morte de Cristo na estaca de tortura. (Efésios 2:15; Colossenses 2:13, 14). Com o novo pacto de Cristo, a antiga Lei foi cumprida e os cristãos não mais estariam sob sua obrigação – e isso incluía também o pagamento de dízimos.
Alguns argumentam que os Levitas continuaram a exercer o sacerdócio judaico depois de Cristo, até que este foi destruído em 70 EC. Mas tal argumento justifica a manutenção do dízimo judaico para os cristãos? De maneira nenhuma. A partir de 33 EC, os cristãos tornaram-se parte de um novo sacerdócio espiritual que não era sustentado por dízimos. — Romanos 6:14; Hebreus 7:12 e 1ª Pedro 2:9. E os cristãos, pessoas vindas não só do povo judaico, mas de todos os outros povos, não poderiam fazer parte de dois sacerdócios aos mesmo tempo. Seria ilógico continuar com esse aspecto da Lei uma vez que, para os cristãos, não existe mais o sacerdócio aarônico, nem a classe levítica.

É interessante notar que no dízimo cobrado hoje pelos religiosos que se dizem cristãos, não se exige nada das obrigações ligadas ao verdadeiro dízimo bíblico – que eram a sua essência. Por exemplo: Não se diz para os cristãos irem à Jerusalém (localizada hoje no atual Israel) uma vez ao ano, para as festividades nacionais judaicas. Mas isso era, depois da manutenção do sacerdócio aarônico, o principal objetivo do dízimo.
Ao invés disso, os líderes religiosos apenas pedem o dinheiro dizendo que “
é bíblico”. E o pagador enganado dá o seu dinheiro, pensando estar “de acordo com a a Bíblia", mesmo sem conhecer o verdadeiro destino dele.


3ª Parte

Como Seria o Verdadeiro Dízimo 
nos Dias Atuais?

Representação do que seria o Templo de Salomão, único lugar que abrigava os 
serviços do sacerdócio aarônico na Terra.. Tanto a reconstrução deste como uma 
"volta" do sacerdócio que nele funcionava seria impossível, para não dizer embuste. 
E qualquer esforço para trazer essas coisas de volta seria como negar o cristianismo


Pelo considerado acima, é impossível para uma pessoa de hoje pagar o verdadeiro dízimo bíblico. Da mesma forma seria impossível para qualquer pessoa receber tal dízimo, caso fosse feito nas bases bíblicas. Qualquer tentativa seria então, antibíblica.
Para começar, o pagador teria que se tornar israelita e as classes sacerdotais aarônica e levita teriam que voltar. A classe sacerdotal judaica era formada apenas pelos descendentes de Levi e Arão - e não podia ser diferente disso. 
Nos dias atuais não se sabe mais sobre essas descendências porque os romanos destruíram os registros judaicos em 70 EC, a partir do que os judeus se espalharam pelo mundo. Ou seja: Mesmo para os atuais judeus de Israel, que dizem viver ainda "sob a Lei", seria impossível a restauração do sacerdócio e do dízimo.
Mas vamos supor que se inventasse um novo sacerdócio aarônico, que justificasse um novo pagamento de dízimo. Quais as consequências? Justificaria a cobrança? 

Com uma suposta recriação do antigo sacerdócio judaico, o templo de Salomão, onde ficava a 'Arca do Pacto' (Josué 3:6), teria que ser reconstruído em Jerusalém, pois é o único local onde tal sacerdócio estava divinamente autorizado a funcionar. Mas isso significaria o fim do Muro das Lamentações (o que restou do templo), que é um lugar sagrado para o atual judaísmo, e, por causa dele, nem mesmo os judeus mais ortodoxos pensariam em reconstruir o antigo templo. E mesmo que isso acontecesse, o templo só serviria para abrigar a "Arca". Mas a Arca esta se perdeu nos tempos do Rei Josias (uns 640 anos antes de Cristo) e nunca mais foi encontrada e nem substituída. 
A antiga Lei mosaica teria que voltar a vigorar no templo para que se cobrasse o dízimo, trazendo de volta os sacrifícios de animais, parte obrigatória da Lei. Mas isso seria uma rejeição ao sacrifício do “cordeiro perfeito”, mencionado por João (João 1:29) como o “sacrifício resgatador” da humanidade, que substituiu esses sacrifícios. De forma que, com o retorno de tais sacrifícios, o termo "cristão", ou os que acreditam no sacrifício resgatador de Cristo, seria renegado. 

Assim, pagar o “dízimo” à alguma igreja nos dias atuais é o mesmo que dizer-se não cristão. 
Mas como foi que o "dízimo" passou a ser parte integrante das denominações religiosas – notadamente aquelas que se dizem “cristãs - de hoje? Será que são sinceras, pensando estarem de acordo com a Bíblia, as pessoas que cobram tal tributo, ou é puro engodo? 

Esta pergunta será respondida oportunamente. 




segunda-feira, 3 de outubro de 2016

As Viagens Missionárias de Pedro - 1ª Parte: A questão da Localidade

As Viagens Missionárias de Pedro
Mapa das viagens missionárias de Pedro narradas em Atos. Nelas Pedro sempre permaneceu perto de Jerusalém.


- Prólogo -
Muito se fala em Viagens Missionárias de Paulo. Mas nunca se menciona as viagens Missionárias de Pedro, que, semelhante a Paulo, também era pregador viajante. Neste assunto, dividido em partes, vamos tratar delas.
As viagens missionárias de Pedro fornecem indicativos de que ele, contrariando o que ensina a tradição, nunca esteve em Roma.
Baseadas no livro de Atos, que detalha o início do cristianismo, as missões de Pedro indicam que ele não saiu de perto de Jerusalém até o ano de 62, quando ele já se encontrava em Babilônia.
Um simples exame do livro de Atos também desmonta o argumento de uma suposta "transferência de Jerusalém para Roma da sede em 70 EC", pois Jerusalém ainda não havia sofrido a destruição por Roma, quando Pedro escreveu suas cartas por volta de 62 a 64 EC. Roma ainda não era uma ameaça perigosa e Pedro, junto com os outros Apóstolos, estava baseado em Jerusalém de onde era enviado em viagens missionárias (Atos 1:4: "não saiam de Jerusalém").
.
- Pedro Chamou Roma de Babilônia? -
Sem examinar o livro de Atos, os católicos dizem que quando Pedro falou que estava na Babilônia (1ª Pedro 5:13) estava "querendo dizer" que estava em Roma.
Por incrível que pareça, toda a fé católica depende dessa única interpretação. Pois é com ela que a Igreja Católica afirma "provar" que Pedro "fundou a igreja em Roma". Caso isso não se sustente, a igreja encontraria-se em sérias dificuldades dogmáticas.
Será que tal afirmação corresponde aos fatos? Por que Pedro chamaria Roma de Babilônia ao passo que outro apóstolo (Paulo), escrevendo simultaneamente às cartas de Pedro não a chamou assim?
A resposta é simples: Trata-se de pura interpretação, ou seja, transforma-se uma frase em outra a fim de adaptá-la ao que se quer ensinar.
Mas, se é mera interpretação, como podemos ter certeza de que Pedro não chamou Roma de Babilônia e que ele realmente estava em Babilônia, ao oriente de Jerusalém e não no Ocidente (em Roma)? Vejamos alguns motivos:
.
- 1) "Codificação" Desnecessária -
Um dos motivos é que nenhuma das cartas bíblicas, escritas por outros Apóstolos codifica cidades ou qualquer outra coisa. Todas as cartas bíblicas são relatos autênticos, simples, de conselhos diretos e escritas para qualquer pessoa ler e entender.
O apóstolo Paulo, por exemplo, escreveu diretamente aos romanos pouco anos antes de Pedro escrever suas cartas. O livro bíblico "Romanos" foi escrito em Corinto no ano de 56 EC, quando a situação política do Império era a mesma da época da carta de Pedro.
Depois de escrever aos romanos, Paulo escreveu diretamente de Roma, à Timóteo entre os anos 61 à 65, ou seja "depois" das cartas de Pedro. Nestas cartas Paulo menciona nominalmente Roma (2ª Timóteo 1:17).
Qual então seria a razão para Pedro "disfarçar" ou "codificar" (como alegam alguns teólogos) o nome da cidade? Nenhuma. Se assim o fizesse causaria confusão ao invés de esclarecer seus leitores.
.
- 2) Cartas Para Os Destinatários Certos -
Outro motivo era a localização dos destinatários das cartas de Pedro.
Nelas se declara que foram escritas para os "cristãos espalhados", que estavam nas províncias ao norte de Babilônia e na Ásia ao oriente (1ª Pedro 1:1). Lugares bem longe de Roma, porém perto de Babilônia.
Os povos das cidades que deveriam ler as cartas (nominalmente Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia) possuíam populações semelhantes a de Babilônia e diferente dos romanos no modo de pensar religioso. Eles eram judeus, ao passo que os romanos eram gentios.
Não há sentido em dizer que Pedro iria para Roma e, de lá, escreveria para povos tão distantes de onde estava e diferentes de seu foco de pregação. O teor das cartas de Pedro mostra claramente que ele se dirigia à judeus e não à gentios.
Devido à esta incongruência o historiador eclesiástico (da Igreja), francês, Louis Ellies Dupin (1657-1716) escreveu: "Como poderiam aqueles a quem escreveu entender que Babilônia significava Roma?” Isso lhe causou a perseguição por parte da Igreja e ele foi "banido".
.
- 3) Pedro Pregava Aos Judeus Circuncisos -
Qual era o foco de pregação de Pedro? O apostolado de Pedro era junto aos judeus "circuncisos" enquanto que Paulo pregaria aos gentios "incircuncisos".
Isso foi decidido em uma reunião de Pedro com Paulo e Barnabé anos antes (Gálatas 2:7,8). A carta aos gálatas foi escrita por Paulo entre os anos de 50 e 52 EC em Jerusalém, depois das visitas que fez à Galácia entre 47 e 48 EC.
Babilônia, e não Roma, era "um centro do judaísmo" (ou os circuncisos) à época de Pedro. A enciclopédia católica The International Standard Bible Encyclopedia diz: "Babilônia permaneceu um foco do judaísmo oriental durante séculos, e, das discussões nas escolas rabínicas ali foi elaborado o Talmude de Jerusalém no quinto século de nossa era, e o Talmude de Babilônia, um século depois.". Roma porém era "das nações", ou dos "gentios" (incircuncisos).
.
- Afirmação Sem Base Bíblica -
Qual razão teria Pedro para, depois de ser incumbido de pregar aos judeus circuncisos, abundantes ao oriente de Jerusalém, se dirigir à Roma pagã "junto com Paulo" conforme afirmam os católicos, para pregar aos incircuncisos, contrariando totalmente o que haviam decidido, em reunião, fazer? Nenhuma.
Ademais quem pregaria aos judeus ao oriente? Ou seja: Dizer que Pedro foi pra Roma é o mesmo que dizer que os cristãos oriundos dos judeus (ou os circuncisos) 'foram esquecidos' em prol dos pagãos, o que não tem nenhuma lógica do ponto de vista bíblico e histórico.
.
.
- Conclusão da 1ª Parte -
à luz dos fatos históricos e da Bíblia a interpretação de que "Babilônia era Roma codificada" não permanece de pé, a não ser para quem se recusa a aceitar fatos comprovados em prol de fábulas inventadas com o intuito de cegar a mente dos que insistem em acreditar em tradições ao invés de usarem a lógica.

Seria Pedro o "chefe" dos apóstolos, a partir de Roma? Esse ponto será discutido na 2ª parte desse assunto, aqui.